Cirurgia Plástica não é mercadoria


Mercantilização gerou financiamentos e pacotes fechados condenados pelo Conselho Federal de Medicina




A propaganda incentiva, a oferta é cada vez mais ampla, os preços torna-se mais acessíveis e as formas facilitadas de pagamento multiplicam-se. Não é uma moda como qualquer outra, pela simples razão de que  põe a vida em risco, como todo e qualquer procedimento cirúrgico que envolva anestesia internação hospitalar. Portanto é preciso cuidado com banalização da cirurgia estética, os excessos dela decorrente ao oportunismo de certos profissionais. 

“Há sempre percentual de risco. Não existe risco zero em cirurgia”, diz o Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), José Yoshikazu Tariki. Muito noticiado, os casos de complicação até morte após a realização de lipoaspiração, procedimento considerados simples, são ilustrativos da necessidade de avaliar onde se pisa quando se procura procedimento por vias cirúrgicas. “Feita pela um profissional habilitado, em ambiente hospitalar ou em clínica médica e equipada a lipoaspiração é um procedimento seguro. Mas não pode ser banalizada. Qualquer cirurgia que a pessoa vá fazer, uma sugestão é escolher  bem o profissional. Busque mais informações a respeito da atuação dele e pesquise referências no meio medico, orienta Tariki, ressaltando: “A lipoaspiração não é método de emagrecimento. Serve para corrigir desarmonias provocadas por depósito de gordura em certas regiões do corpo”.

Tariki informa para receber título de especialista de cirugia plástica o médico precisa passar dois anos de cirurgia geral e mais três de especialização em cirurgia plástica para depois ser submetido a prova especifica aplicada pela SBCP. Isso não significa que legislação vede a prática de procedimentos estético-cirúrgicos aos médicos não especializados – a escolha cabe ao paciente.

Para o Presidente da SBCP, embora a qualidade de cirurgia plástica praticada no Brasil seja reconhecida mundialmente, o público precisa estar atento, pois o terreno tem-se mostrado fértil para oportunistas. “A Associação Médica Brasileira (AMB) não reconhece a medicina estética como uma especialidade médica”. Informa Tariki, explicando que, que nesse campo,  há duas especialidade reconhecidas: a cirurgia plástica e a dermatologia, as quais tem seu âmbito os procedimentos ditos estéticos.

Segundo pesquisa efetuada pelo Datafolha a pedido da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), são realizadas no Brasil 196 mil cirurgias plásticas por ano, das quais 132 mil, ou 73%, dão-se por motivação estética e não reparadora. As mulheres respondem por 88% das operações estéticas e 72% delas tem entre 19 e 50 anos. Esses números não incluem os procedimentos de pequeno porte, como retirada de pintas ou verrugas.

Pacotes

É preciso tomar especial cuidado com empresas comerciais que oferecem como financiadoras de cirurgias plásticas e que vendem pacotes fechados. Tal intermediação do trabalho médico e condenada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), conforme a resolução 1.836 de 2008.

A cirurgia plástica no atual estágio de desenvolvimento social trouxe, por um lado, a possibilidade do bem-estar conjugado a melhora do aspecto físico, mas, por outro lado, alargou desmensuradamente conceitos e generalizou o alcance de resultados.

Necessidade

Saudavelmente necessita de uma cirurgia estética? Na opinião do Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, trata-se uma decisão pessoal. “Para ser saudável do ponto de vista psicológico, a pessoa tem de estar satisfeita com seus aspectos físicos. Se alguma característica do rosto deixa o individuo infeliz e existem técnicas reconhecidas de resultados satisfatórios por que não lhe oferecer essa oportunidade?”, indaga José Tariki. “A palavra ‘necessidade’ é muito relativa”, declara.

Segundo a pesquisa no Brasil do Datafolha, a cirurgia estética mais procurada no Brasil é a de aumento das mamas (21%), seguida pela lipoaspiração (20%) e a modelagem do abdômen  (15%). “ Acreditamos que houve aumento das cirurgias de aumento das mamas com silicone por causa da divulgação. E a maioria das pessoas que estão indo procura-las realmente tem indicação para tanto. Para aquelas que não tem, fica a critério médico contraindicar a operação” observa Tariki.

Fonte: Revista SBCP






0 Comentários sobre "Cirurgia Plástica não é mercadoria"

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário sobre Cirurgia Plástica Estética